sola beatitudo

do latim, "única felicidade"
~ Saturday, May 19 ~
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beinqherself:

THIS CANNOT BE HAPPENING! I’ve never cried so much over a tv programme in my whole entire life. Lexie & Mark were my favourite. This just seriously cannot be happening! They are meant to fucking be! </3 My inspiration is completely shattered. They were my favourite couple ever. Fuck sake. I just can’t believe this happened. I WANT LEXIE & MARK BACK!!!!


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~ Tuesday, April 3 ~
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Posição fetal. Está frio, estou descoberta. Meus pés e mãos estão gelados, mas eu realmente não me importo. Na minha cabeça, você. O tempo eu já deixei há muito de contar, afinal, não faz diferença alguma. Confesso que de tua face quase não lembro, tua voz já falha em minha mente e o motivo de você ainda estar tão presente em mim eu já não sei dizer. Ainda tenho teu gosto em minha boca e o cheiro do teu pescoço parece fazer parte de mim. Das palavras também me lembro, junto com as promessas. Promessas essas que jamais poderemos cumprir, não por culpa sua ou minha, mas única e exclusivamente por ironia do destino. Não estou triste. Não tenho porque estar. Só estou vazia, vazia e sozinha. Todo o tempo. Até deitar, congelando, e sentir teu fantasma do passado tão perto de mim. Me aquece, entristece, enlouquece. Mas acima de tudo, é esse espectro, essa ilusão bobinha de que ainda terei você pra mim que me faz colocar um sorriso no rosto e adormecer. Adormecer, pra sonhar com você… 


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~ Tuesday, March 6 ~
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sweet child o’mine

Doce é a minha ilusão de que teus beijos, teus ternos beijos, teriam algo mais do que paixão. Doce é o sorriso que dei ao imaginar sua cabeça no meu colo, seus cabelos em minhas mãos. Doce foram todos aqueles sonhos intermináveis em que a única cena era um riso, teu riso, nosso riso. Doce foi tudo aquilo que em tão pouco tempo eu pensei ser verdade. Doce foi a minha vontade, quase inocente, de perder a inocência tão cuidadosamente moldada em minha face. Face essa que enrubesceu ao imaginar teu corpo junto ao meu, com olhos que se perderam em delírios de noites que nunca aconteceram.

Volto à realidade, mas ainda assim, meus lábios se curvam para cima, discretos, ao sentir sua respiração tão perto, mesmo não estando aqui. 


~ Sunday, February 19 ~
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(Source: jegyzettomb)


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~ Wednesday, February 1 ~
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step by step

Com o tempo, fica mais fácil lidar com a ausência. Aquela abstinência louca das primeiras horas, dias e semanas se transformam simplesmente em um incômodo que se torna tão característico que parece fazer parte de você.  Então, quando você já está cicatrizado, quando suas feridas param de arder, a pessoa volta. Ela volta, e traz consigo toda aquela maré de insegurança e dor e aquela sensação ruim-mas-boa-demais-para-abrir mão. Aí você finge que está bem, que não se importa. Segura as pontas, não deixa sangrar, não deixa se abalar. Mas sempre se abala… E quando se abala é como se o mundo inteiro estivesse rindo da sua cara, achando hilário o fato de você estar eternamente preso nessa teia, esse nó, esse vício que parece sempre voltar para empacar sua vida quando você pensa que está livre.  
                Dizem que é só um coração partido, coisa de criança, logo logo passa. Dizem que você é jovem, que vão ter milhares de ‘’elas’’ na sua vida.  Você acredita, acredita de verdade, acorda feliz, leve. 10 minutos, nem isso, e a pessoa já está de volta na tua cabeça. E você fica irritado, muito irritado, não por não ser correspondido, não por não ter nada com ela, e sim porque você não consegue sair desse jogo eterno. Você faz de tudo, o tempo passa, as pessoas mudam, você muda, ela muda, e continua lá, na tua cabeça no teu corpo no teu coração e em todo lugar que você vai. E dói, mas dói tanto que até difícil dizer sem parecer uma criancinha com o joelho ralado. Dói mais do que todos os meus machucados juntos. Dói em lugares que eu nem sabia que eu tinha. Dói, mas tudo bem. Eu aceito a dor.
                Eu admito. Tenho um problema. Meu nome é Camilla e sou viciada em pessoas. Dizem que o primeiro passo para melhorar é admitir, certo? Aqui estou eu. Admito, de peito aberto. Falo para quem quiser ouvir, grito aos sete mares. Pronto, todo mundo já sabe. E agora, já me curei? Posso seguir em frente?

 

Um passo de cada vez. Ou meio, se não tiver força o bastante. Devagar se vai ao longe, e hoje a única coisa que eu peço a mim mesma é que eu seja capaz de me mover. Um centímetro, o que for. Só quero sair do lugar, pelo menos tentar. Eu posso, sou forte e sou melhor que isso. Não existe vício forte o bastante para me prender no chão.


~ Tuesday, January 17 ~
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Outra história sobre estrelas.

 

                                                                             PARTE I – Lembranças

O céu está bonito hoje. Com aquelas nuvens acinzentadas cortando as estrelas, como você gosta. “Olha, loira. Nem tudo precisa ser perfeito pra ser digno de apreciação” Dizia ele, sorrindo, deitado ao meu lado, uma mão em meus ombros e a outra esticada pra o alto, como se tentasse alcançar o céu. Ele se assemelhava tanto a um garotinho de 5 anos quando fazia isso que me fazia sorrir, quase sem perceber, achando maravilhoso aquele céu manchado. Balanço a cabeça, tentando espantar as memórias. Vejo as estrelas pela janela, que continua escancarada, do mesmo jeito que você a deixara tantos dias atrás. Uma daquelas chuvas de verão ridiculamente fortes e inesperadas começa, molhando todo o chão e engrossando a poça em cima do criado-mudo. Não me importo. Gostaria que a natureza levasse esse quarto com ela. Deixo então as luzes apagadas – desconfio que essa lâmpada esteja queimada há alguns meses – janela aberta, porta trancada. Mas meus pés insistem em destrancá-la todo dia e entrar nesse santuário-quase-imaculado onde se eu ficar bem quieta, posso até ouvir sua respiração.  Respiro fundo, caminhando a passos lentos até a parede oposta à janela, onde as gotas não conseguem chegar. Sento no chão, mão na cabeça, você dentro dela. 34 semanas. Quase 7 meses. O mais absurdo é que mesmo depois desses duzentos e não-sei-quantos dias, ainda não aceitei que você foi embora. Continuo conversando comigo mesma, balbuciando palavras desconexas a todo o tempo, na esperança de algum milagre – ótima escolha de palavras, srta cética-não-tão-cética-assim – aconteça e você venha com aquele sorriso bobo, as mãos para o céu, “Olha, pequena. Hoje não há nuvens, hoje só há eu e você”.

                                                                                PARTE II - Ilusão

Quem eu estou enganando? Ele não vai voltar. Você percebe que está fazendo papel de ridícula, garota? Sete meses perdidos. Em troca de um amor que não se importa nem em procurar saber se você ainda está viva ou mofando em um canto da casa como aquele livro bobo sobre coelhos que ele deixou. Só não pareço ainda mais estúpida porque a única pessoa que tem me visto é o espelho, que por sinal, juro que ouvi um “tolinha!” saindo de dentro daquelas bordas envelhecidas. Mas também, o que eu queria? Que ele voltasse e dissesse que ainda me ama? Que precisava de espaço? Não, não é isso. A verdade é que simplesmente nunca existiu amor, só uma coisa louca que eu usava de inspiração e ele de distração.  Isso. Só isso. Não há motivo para saudade e muito menos para tristeza. Foi uma troca de favores que durou mais tempo do que o previsto e passou dos limites do aceitável. Um exagero, dos grandes, como tudo que eu sempre fiz.

                                                                    PARTE III - Estupidez

Pego o porta-retrato, atiro na parede. Lágrimas salgadas não param de escorrer do meu rosto. “Estúpida, estúpida, estúpida” repito para mim mesma há quase dez minutos.  O único exagero foi achar que aquela droga toda fora só uma necessidade de inspiração. Não, não foi só isso. O que houve entre nós foi aquele tipo de situação em que você jamais imaginaria uma pessoa como eu metida nela. A princesinha usou toda a sua força para lutar por aquele relacionamento, ficando do lado dele em toda e qualquer situação, independente do quão desesperado – e potencialmente perigoso – ele estava. Ela dedicou quase dois anos de sua vida para praticamente virar esposa dele, largando sua vida para dar uma chance aos dois. Que estúpida. Ele foi embora, ele a deixou, e não era a primeira vez. Ela chamava isso de “Momentos de Histeria de Baby B”. Baby B, ela o chamava assim e ele odiava. Ele merecia, realmente parecia um bebê quando teimava com alguma coisa e só virava um homem novamente quando conseguia – o que era admirável para quem vê e insuportável para quem convivia. Dessa vez, não foi um momento de histeria. Ele desistira. Desistira dela, logo dela, que apesar de todos os ataques de loucura – que ele, com uma voz arrastada cheia de sarcasmo, adorava chamar de “Momentos de Histeria da Princesinha da Mamãe” – jamais saíra do lado dele e nem dera nenhum ultimado do tipo se-conserte-ou-vá-embora. Ela aceitava, dava alguns berros agudos com ele, o chamava de patético, mas sempre o levava para debaixo do chuveiro depois de voltar, completamente bêbado, de uma daquelas fugidas de três ou quatro dias que ele dava em seus momentos de histeria. Quando ele foi embora, estava sóbrio, sem nenhum ataque emocional em vista. Estava quieto, se recusando a demonstrar qualquer sentimento bom – aqueles momentos doces olhando as estrelas eram raros como um cometa. Mãos nos bolsos da calça jeans, caminhei até ele. “O que houve?”. Nada. Silêncio.  Ótimo, pensei. Agora é a vez dos momentos de não-histeria. Dei um sorriso de lado com esse pensamento, ainda esperando uma resposta. Então depois de dez ou quinze minutos, ele se virou para mim. “Tchau.” E foi embora. Simples assim. Cansou. Parabéns, baby, conseguiu atiçar a princesinha da mamãe. “O que raios você pensa que está fazendo? Vai embora assim, simplesmente? Sem me dizer nada?” “Acorda, Larissa. Você está se ouvindo? É sempre assim. Você acha que é minha mãe. Eu estou ABSURDAMENTE CANSADO de você. Me deixa em paz”. Uma facada no estômago provavelmente teria doído menos. Fiquei sem reação, completamente paralisada, olhando enquanto ele subia na moto e saia acelerado. Não chorei até completar um mês. As lágrimas só caíram quando a lua nova chegou e ele ainda não tinha aparecido.

                                                                PARTE IV - Superação

Hoje é dia cinco de novembro. Completa um ano desde que ele foi embora e dois meses que finalmente tive coragem de sair de casa. Estou me saindo bem. Melhor do que eu imaginava. Já não olho o céu – comprei cortinas novas e todos os cômodos estão sendo agraciados com sua presença – e o quarto – aquele quarto – é meu estúdio. Pensei que jamais fosse me sentir bem escrevendo naquele lugar cheio de lembranças, mas depois de uma reforma e umas boas mãos de tinta nas paredes, se transformou em um lugar bem agradável. Ainda penso nele – dois anos não serão apagados assim tão facilmente, ainda mais dois anos tão… eternos – mas não com tanta freqüência assim. Cheguei a conclusão de que ele não ter voltado foi o que poderia me acontecer de melhor. A vida que eu levava era cruel demais para uma “burguesa”, como ele me chamava. Mereço alguém que me ame. Mereço amar sem ter que provar isso a todo o tempo. Escrevi um livro, aliais, o finalizei. Eu já havia começado a escrever quando ainda estávamos juntos. Era um romance sobre um casal complicado, mas que tinham o amor do seu lado. Era. Agora é um drama com direito a morte trágica e luto eterno. Ficou bonito, acho. Bonito, mas não perfeito. Ele gostaria da história se seu personagem não acabasse fadado a sofrer eternamente pela morte da amada. Por que o matar na minha história se posso fazê-lo sofrer eternamente? Eu respondia com um sorriso no rosto para todos que me perguntavam o motivo da morte da personagem feminina em vez do suposto antagonista.  Amanha é a festa de estréia e noite de autógrafos. Nunca me senti tão realizada como agora.

                                                                PARTE V – Penhasco

Dizem que quanto maior a subida, pior é a queda. Era a noite de autógrafos. Estava particularmente bonita em um vestido vermelho que dizia muito mais “serei a protagonista da versão cinematográfica!” do que “Oi, meu nome é Larissa e eu sou uma escritora séria”, mas quem se importa? Eu estava na minha festa, na minha noite e deslumbrante. Eram oito horas quando sentei atrás da enorme escrivaninha de cerejeira e comecei a distribuir autógrafos. Sorrir, fazer algumas perguntas, responder a outras, assinar e pronto, próximo.  Era muito mais excitante nos meus delírios adolescentes de algum dia fazer sucesso do que na realidade. Para ser sincera, era bem entediante. Minhas bochechas já pediam socorro, me implorando para parar de sorrir, e eu já tinha colocado meu cérebro no piloto automático. “Boa noite, e o seu nome é?” Disse sem nem olhar para quem estava a minha frente, minhas mãos já na cópia de quem-seja, pronta para rabiscar um “para meu amigo fulano, de Larissa Tavares” quando reconheci a voz. “Bruno. Mas pode dedicar a Baby B”. Quase não acreditei. Espero que algum dos muitos fotógrafos que estavam na noite tenha capturado minha expressão naquele momento, porque eu realmente gostaria de vê-la. “O-que-voce-esta-fazendo-aqui”, disse tão rápido e tão baixo que duvidei que ele pudesse ter ouvido. “Desculpa, Lari. Eu sou um bobão. Eu sou um grande bundão, um grande Baby B”. Devo ter comido algumas moscas, porque minha boca simplesmente não conseguia ficar fechada. Comecei a rir. Alto, histérica, surpreendendo não só Bruno, mas meu editor e grande parte dos convidados, que conseguira ouvir minha voz. “Você tá de sacanagem, né? Bruno. Você está sendo estúpido. Vá embora.” Estiquei o livro para ele. “Não, Larissa. Não vou te deixar sozinha de novo. Eu te amo. Eu sempre te amei. Eu… eu sinto sua falta como eu jamais imaginei ser possível. Eu não consigo passar uma noite sem olhar para o céu e ver seus olhos nele. Lari… me dá outra chance. Cuida de mim. Sabe, como nos velhos tempos. Eu, ridículo, perdido e você, minha, sempre.” Mais de cinqüenta xingamentos diferentes passaram por minha cabeça naquele momento, mas ao invés de acabar com a minha reputação na frente de todos os meus amigos, resolvi respirar fundo e sorrir. Se eu aprendera alguma coisa com Bruno, fora a ter paciência. Peguei o livro de volta, escrevi rapidamente na minha letra pequena e desajeitada que ele sempre chamava de desleixada. “Espero que goste do seu personagem. Boa sorte, boa vida. Que você seja feliz e faça alguém feliz. Larissa Tavares”.  Me levantei, peguei a mão esquerda dele e coloquei o livro nela. “Obrigada por tudo. Você me fez crescer. Espero que você também cresça, algum dia. Tchau, Bruno. Até nunca mais”. Ele foi embora, aquela cara de cachorro triste que um dia me fizera ter todo o instinto maternal do mundo e jamais querer largá-lo agora me dando ânsia de vômito. Aparentemente, meu olhar fora forte o bastante para ele entender o recado, já que segundos depois sussurrou “Se cuida, loira. Sinto muito” e foi embora. Talvez eu seja a exceção a regra, ou eu simplesmente ainda não cheguei ao topo. Não foi dessa vez que eu caí. E a única certeza que eu tenho é que quando eu cair não será por ele.   


~ Sunday, January 8 ~
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As - enormes, por sinal - mãos dele percorriam minhas coxas fazendo uma pressão maravilhosa sobre o meu fêmur. Desconfio que em algumas partes eu esteja roxa, já que a força que ele exercia era muito maior do que a minha pele branca-de-cadáver aguentava. Ele era absurdamente bruto, de um jeito que uma garota como eu torceria o nariz. Na verdade, foi exatamente isso que aconteceu. O odiei tanto que acabei me apaixonando. Não, não, nunca me apaixonei por ele; me apaixonei por aquelas mãos enormes, brutas, pesadas e que toda vez que encostavam em minha cintura eu já sabia que um orgasmo estaria por vir. Enquanto aquelas mãos percorriam meu corpo, mais parecendo uma daquelas massagens tailandesas em que uma mulher de 60kg sobe em cima das tuas costas,  minha clavícula recebia mordidas incessantes daqueles dentes amarelados de cigarro. Cada parte do meu corpo procurava ficar ainda mais perto – se é que isso fosse possível – daquele à minha frente, meus olhos fechados preferiam permanecer assim por mal acreditar que era possível sentir prazer com uma pessoa tão fora daqueles meus entediantes padrões burgueses.  Meu um metro e sessenta e três jamais havia se sentido tão pequeno quanto debaixo daquele corpo quente. Ele enfiava as mãos por baixo do meu vestido, praticamente rasgando minhas finas peças íntimas. Certa vez ele chegara a rasgar um Oscar de La Renta, e essa foi a única vez que meu corpo arranjou forças o suficiente pra tirá-lo de cima de mim. Então, nas noites frias de novembro ele voltava, me olhando de um jeito faminto que após alguns meses começou a ser substituído por um olhar de quase doçura. O máximo que ele conseguia, acredito. Todas as noites ele ia embora por volta das três da manhã, me deixando sozinha com aqueles lençóis imundos e a alma duas vezes mais…


~ Thursday, December 29 ~
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Ela era inteligente o bastante pra saber que estava fazendo papel de otária, com todas aquelas lágrimas e pensamentos e lembranças e blá blá blá. Mas esse é o mal dos apaixonados, não importa o quão ridículo pareçam, eles simplesmente não se importam. E apesar de não se importar, ela tentava, tentava viver, seguir, não pensar. Então ia caminhar na areia, a areia branca da cor da tua pele roçando na minha e aquele arrepio da brisa, tua respiração no meu pescoço e aquela onda forte, forte como aqueles braços me empurrando, me abraçando, me amando. Cai a chuva, molha meus cabelos, tua saliva na minha garganta. Você sujo de areia e eu dizendo sai daqui, benzinho, não me suja. E você rindo e dizendo “depois a gente se limpa, depois a gente se beija, depois a gente se ama…” Aí ela balança a cabeça, engole aquele drama, bye bye fantasma, corre pela praia, entra no mar, deixa a maré tomar conta… vem, onda, toma conta de mim.


~ Monday, December 26 ~
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babyluv

Você levanta, meio tonto, a visão borrada. Coloca as pantufas, segunda porta à esquerda, o banheiro. Aquela água absurdamente gelada, natural em uma manhã de junho, te ajuda a despertar. Escova os dentes, penteia os cabelos, faz um rabo-de-cavalo meio bagunçado. Ok, aceitável. Vai pro closet, pequeno-porém-útil, substitui a camisola de seda azul-marinho por um short de tecido e uma camiseta meio amassada. Na beira da janela pega a coleira verde-água de Chuck, que escuta de longe e vem correndo, pulando, quase te derrubando com aquela língua enorme e molhada pra fora, encharcando sua perna. “Pulguento!” Escuta as palavras dele, com a mesma vivacidade de três anos atrás. Não deixa de sorrir. Então você dá uma última olhada no quarto vazio, tentando inutilmente não reparar na parte direita da cama king size - maldito, pra que tanto espaço? cola em mim, vem cá babyluv - quase intacta. Chuck não para de babar em cima do teu all star, aqueles olhos azuis hipnotizantes de Husky Siberiano quase queimando tua retina. Então vamos, honeybee, vamos correr como loucos pelo Jardim Botânico.

 

Essa não é uma história com final feliz. Até poderia ser, mas transformar isso em algo doce seria contrariar todas as minhas convicções. Minha teimosia escorpiana, tão solúvel quanto um pedaço de vidro mergulhado em um copo d’água, prefere o amargo. Sempre quis que minha vida tivesse um toque Shakesperiano. Nunca pensei que fosse me arrepender tanto desse desejo.

(…)

(trechos inspirados em Love - A Historia de Lisey de Stephen King) 

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~ Saturday, November 26 ~
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dançando com a lua

Cuidado comigo eu não sou nenhum santo.
É tudo para sempre mas só por enquanto
Certas palavras dizendo o oposto.
Vendi a minha alma pra me ver no seu rosto.

Lavo meu rosto pela trigésima vez. A pia imunda me causa repulsa e vontade de me afogar. Encaro o espelho. Poeira, alguma coisa preta incrustada. Delineador. Ela, de novo. Por que ela está sempre ali?

Os outros que mentem, eu levo a fama.
Meus 15 minutos duram uma semana.
Bem feito pra mim mesmo, quem foi que mandou.
Agora é muito tarde foi embora acabou.

Não, ela nunca está. O preto do rímel o branco do pó o cinza das cinzas daquele cigarro que ela nunca apagou. Aquilo está, sempre está. É só a alma, nem a alma, fragmentos, talvez. O nada. O tudo. Era ela, toda ela, sem ela. A capa. Nua. Nada.

Dançando onde ninguém pode me ver.
Dançando pra tentar me esquecer.
Dançando pra fazer você voltar .
Dançando com a lua em seu lugar.

E o sangue da banheira é do vermelho daquelas roupas daquela boca daqueles gritos. E os gritos e gemidos e palavras sujas na minha orelha ainda mais suja de sujeira e frases e toda aquela humanidade cada vez mais desumana.

Me sobe a cabeça, me joga no chão.
É quase desespero de estimação.
Pergunto a mim mesmo porque é assim.
Igual pra todo mundo mas dói bem mais em mim.

Então o espelho e minhas risadas e meus dentes amarelos da cor daqueles cabelos daquela pele daquela aura. O amarelo que ela tanto odiava e que tão bem a representava. E o meu riso se confundia com as lembranças e a voz tão azul quanto um cadáver e aquele cheiro de morte que não saia do meu banheiro…

Parece uma festa que não terminou.
Eu sou o convidado que nunca chegou.
A tarde me acalma, a noite me consome.
Outro problema que eu batizo com o seu nome.

Por que você não está aqui? Te peço perdão, beijo teus pés, é você e seus cheiros e suas vozes e suas cores, está tudo comigo, é parte de mim, você sou eu, eu sou você, estamos mortos, estamos vivos, estamos batendo…

Dançando onde ninguém pode me ver.
Dançando pra tentar me esquecer.
Dançando pra fazer você voltar.
Dançando com a lua em seu lugar.

E com uma última dose de uísque barato e uma última frase desconexa balbuciada, ele caiu. Overdose, disseram. Só perceberam quando o podre do corpo em decomposição chegou ao ponto de atrapalhar a vida tranquila dos outros moradores pacatos daquele típico prédio de subúrbio. Um prédio chato com gente chata e uma mente extraordinária demais pra toda aquele gente ordinária…

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